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Curso Básico

  • 11 de nov. de 2017
  • 3 min de leitura

Introdução

O Curso Básico (ou Escola Elementar) da Bauhaus foi um curso introdutório obrigatório aos estudantes recém-ingressos que, de forma geral, abrangia os conceitos de cor, composição, materiais e formas tridimensionais essenciais para toda a expressão visual (escultura, pintura, tipografia etc), tendo como "maior objetivo [...] introduzir e propiciar ao aluno um contato com o mundo artístico e 'interior', para assim desenvolver sua capacidade de observação e expressão’’. Surgiu a partir da necessidade de atingir uma “arte unificada” harmoniosa, na qual teria de haver o “esforço consciente e cooperativo de todos os artesões” para o entendimento de uma base teórica e prática ideal para qualquer empreendimento artístico.

Tal curso foi criado e inicialmente ministrado pelo professor suíço Johannes Itten, que "usava métodos de ensino não convencionais na esperança de fazer com que seus estudantes 'desaprendessem' o que sabiam e voltassem a um estado de inocência inicial a partir do qual o verdadeiro aprendizado poderia começar”, se demitindo em 1923 e dando lugar à outros professores célebres, como László Moholy-Nagy.

Professor Johannes Itten

aos 30 anos, em 1918.

Precedentes

Para entender os princípios e a metodologia de ensino do Curso Básico, é preciso voltar no tempo e analisar outros pensadores que o influenciou. O educador suíço Heinrich Pestalozzi (1746-1827) acreditava numa “educação sensorial” que consistia “no cultivo de faculdades inerentes e não na imposição do conhecimento”, dando ao professor o papel da figura protetora, responsável pela estimulação da inteligência natural do aluno (vulgo a criança), sendo este a “semente”, metáfora para o modelo educacional baseado no domínio evolutivo das habilidades e conceitos.

Johann Heinrich Pestalozzi

Bastante influenciado por Pestalozzi, o pedagogo alemão Friedrich Froebel (1782-1852) elaborou o "Jardim de Infância" (uma das principais bases para o Curso Básico), uma metodologia que enaltecia a importância do "lúdico" na educação, fazendo a jardinagem e o desenho como partes centrais dessa pedagogia, sendo a última uma forma privilegiada de cognição e separada em dois métodos: Stymographie (desenho em pontos) e Netzeichnen (desenho em rede).

No desenho em pontos, eram organizadas em sequência várias fileiras de pontos no papel do aluno, de forma similar à organização dada na lousa. Dado isso, o aluno "desenhava" a partir do ligamento entre pontos, podendo transpor planos e formar tal objeto dito pelo professor.

Enquanto no desenho em rede (ou desenho em grid), o exercício era feito em uma superfície em malha, consistindo em desenhar formas geométricas no quadriculado. Tal prática era considerada uma forma de simplificar o mundo visual e fazer os estudantes ganharem o domínio da forma, dos elementos geométricos e dos grids a fim de chegar em um naturalismo, a meta final.

No fim, tais métodos contribuíam não só para o domínio de elementos na representação visual, mas também treinava a destreza, as habilidades analíticas e as percepções de verticalidade e horizontalidade do aluno.

Presentes e Ocupações

O fato observado no processo do desenho em rede, sendo "isolar os elementos fundamentais e constitutivos de um assunto, evoluindo e sucessivamente a cada habilidade adquirida" serviu como base teórica para a mais influente contribuição de Froebel à pedagogia: Os Presentes e Ocupações.

Os Presentes e Ocupações se baseavam em atividades básicas e artesanais (Ocupações) e blocos geométricos (Presentes) que eram introduzidos em sequência desde o segundo mês de vida da criança até o último ano do Jardim de Infância. A ordem dada funcionava numa espécie de "progressão", pretendendo espelhar o desenvolvimento mental e físico infantil. Os Presentes, então, mudavam dependendo da idade da criança, progredindo em diversas categorias (movimento x estabilidade, maleabilidade x rigidez etc) estimulando a compreensão acerca diversas partes e relações entre si, ficando mais complexos com o passar do tempo e permitindo a criança formar representações do mundo à sua volta.

REFERÊNCIAS:

(LOURENÇO, C. A.; RIBEIRO, S. M. A. Bauhaus: a influência de sua pedagogia para o ensino do design contemporâneo. Estudos em Design | Revista (online). Rio de Janeiro: v. 20 | nº. 1 [2012], p. 1 – 24 | ISSN 1983-196X)

(LUPTON; MILLER, 2009 p.5-11)

 
 
 

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